Recentemente, tive a honra de participar do programa Diálogos da Água, na TV Água e Saneamento, para debater um tema urgente e estratégico para o desenvolvimento do Brasil: a gestão de resíduos sólidos e a transição para uma economia circular
. Embora o país tenha avançado desde a promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em 2010, ainda enfrentamos obstáculos estruturais que precisam de atenção imediata
Abaixo, segue o video integral e logo abaixo, elenco os pontos fundamentais dessa jornada para transformar resíduos em oportunidades ambientais, sociais e econômicas.
1. O Fim dos Lixões: O “Pavimento” para o Progresso
O primeiro passo fundamental para mudar o patamar da gestão de resíduos no Brasil é o fechamento definitivo dos lixões
Atualmente, cerca de 2.500 municípios brasileiros ainda utilizam lixões, uma prática que contamina o solo e a água, além de comprometer gravemente a saúde pública.
A solução imediata é a migração para aterros sanitários, que são obras de engenharia licenciadas com controle de efluentes (chorume) e gases Mais do que isso, o futuro aponta para os ecoparques, complexos que vão além da disposição final, integrando triagem, tratamento de orgânicos e geração de energia
Para municípios menores, a regionalização — onde um único aterro atende a diversas cidades — tem se mostrado a solução mais viável, com exemplos de sucesso em estados como o Piauí
2. Sustentabilidade Econômico-Financeira e o Papel do Cidadão
Um tema delicado, mas imprescindível, é a sustentabilidade econômica dos serviços de manejo de resíduos
Para que a coleta, o transporte e o tratamento tenham qualidade, é necessário que o serviço seja custeado pelo usuário, conforme previsto no Novo Marco do Saneamento
Hoje, a falta de cobrança específica sobrecarrega os orçamentos municipais, retirando recursos de áreas como saúde e educação
Além disso, a implementação de taxas ou tarifas permite incentivar comportamentos: quem gera menos resíduos ou realiza a compostagem e reciclagem deve pagar menos, estabelecendo um sistema mais justo e sustentável
3. Economia Circular e a Necessidade de Justiça Fiscal
A economia circular vai muito além da gestão de resíduos; trata-se de um novo modelo de negócio focado na extensão da vida útil dos produtos e na valorização de materiais
O Brasil já possui uma Estratégia Nacional e, em 2025, sediará o Fórum Mundial de Economia Circular, consolidando o tema em nossa agenda institucional
Contudo, para que esse modelo prospere, precisamos enfrentar o desafio tributário
É inadmissível que materiais reciclados ou subprodutos sofram nova tributação após já terem sido tributados na origem
Uma política fiscal de valorização de materiais secundários é essencial para impulsionar a circularidade e atrair novos investimentos
4. Inclusão Social e Governança
Não se faz gestão de resíduos no Brasil sem o envolvimento direto das cooperativas e associações de catadores
Eles são agentes ambientais fundamentais que devem estar integrados ao bojo das soluções, seja na coleta seletiva ou na triagem em larga escala
Conclusão:
Um Otimismo Incorrigível
Apesar dos avanços ainda serem considerados “tímidos” em algumas frentes, as perspectivas são positivas
Com a modernização trazida pelo novo marco legal e o engajamento crescente de municípios e estados — como São Paulo, que já possui capítulos dedicados à circularidade em sua política de resíduos — o Brasil caminha para uma gestão mais resiliente e sustentável
A gestão de resíduos não é apenas uma questão de “jogar o lixo fora”, mas de construir um ecossistema que preserve recursos e gere valor para toda a sociedade
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